Carta de Santa Zélia ao seu marido São Luís Martin
Carta 108 – a Luís Martin
Lisieux, 31/outubro/1873

Meu caro Luís,
Chegamos ontem à noite, às quatro e meia; meu irmão nos esperava na estação e estava ncantado por nos ver. Ele e sua esposa fazem tudo o que podem para nos proporcionar distrações.
Esta noite, domingo, há uma bela recepção em nossa honra na casa deles. Amanhã, segunda-feira, partida para Trouville; terça-feira, jantar na casa da Sra. Maudelonde e, talvez, passeio de carro à casa de campo da Sra. Fournet. As crianças estão fascinadas; se o tempo estivesse bom, elas estariam no auge da felicidade.
Mas eu sou difícil de distrair! Nada disso me interessa! Estou absolutamente como os peixes que arrancas fora da água; eles não estão mais em seu elemento, têm que perecer!
Isso me causaria o mesmo efeito se minha estadia tivesse que prolongar-se muito. Sinto-me pouco à vontade, não estou em meu estado normal, o que influi no físico, e estou quase ficando doente. No entanto, raciocino e trato de tomar as rédeas; estou em espírito ao teu lado o dia todo; digo a mim mesma: “Ele está fazendo tal coisa neste momento”.
Tarda-me muito estar perto de ti, meu querido Luís; eu te amo de todo o meu coração e sinto redobrar ainda mais minha afeição pela privação que sinto de tua presença; para mim, seria impossível viver afastada de ti.
Essa manhã assisti três missas; fui à das seis horas, fiz minha ação de graças e minhas orações durante a das sete e voltei para a missa solene.
Meu irmão está contente com os negócios; eles vão muito bem.
Tentarei te escrever amanhã, se for possível, mas não sei a que horas voltaremos de Trouville. Apresso-me; esperam-me para fazer visitas. Retornamos quarta-feira à noite, às sete e meia. Como me parece longo!
Eu te abraço como te amo. As meninas me recomendam dizer-te que estão muito contentes por ter vindo a Lisieux e te mandam um abraço bem forte.




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